Um dia eu ganho a lotaria Ou faço uma magia (mas que eu morra aqui) Mulher tu sabes o quanto eu te amo, O quanto eu gosto de ti E que eu morra aqui Se um dia eu não te levo à América Nem que eu leve a América até ti
onde o céu não é longe saímos de barco trazendo beijos que apanhámos no lago, bem junto ao último poste de luz, para lá do fim como antes o conhecíamos; lá se escrevem poemas com mil anos sem importar quem os vai ler, e lá os nossos beijos, uma vez libertos, brincam na relva atrapalhando-se uns aos outros, como pessoas doentes de infância,
hoje passaram mil anos e voltámos ao mesmo poema que havíamos escrito nos jardins hamarikyu, à procura de alguns beijos perdidos no nosso oriente oculto; alguns habitantes de tóquio olham-nos confusos,
a cor dos olhos e o olhar a facilidade em sonhar e a dificuldade de regressar à realidade a ingenuidade e a humildade o orgulho e a teimosia a preocupação e o saudosismo o sentido de humor e a capacidade de amar e é no teu abraço que me encontro.
sábado, 17 de março de 2012
Encho a minha boca com o teu intenso odor sagrado: azul de pavões azuis, cordilheira e búzios volutas de anéis. Falas comigo ao ritmo da tua respiração. Tornas-te exacta, cascata de mel e de meio-dia. Respeito a tua atenção.
nunca fui só distância e entretanto transmiti todos os meus lugares, desde que o mundo é só água e palavras ... e morro na iluminura dos olhos.
sempre cresci com pretensões
avulsas, vícios,
e as qualidades das metáforas.
um dia disseram-me que a morte
era um ciclo prévio, que os dons cristalizam perfeitamente na memória com auréola e senhora e a dor da confirmação. nunca quis ser só distância,
sempre houve cavalos
seguindo em minha inutilidade prosperante, palavras comprometidas com toda a imitação de sentimento e bicho. sempre me esvaziei da responsabilidade de semear o meu tempo, cresci ajoelhado, em constante transmissão efémera, em constante importância assintomática. depois soube que o tempo castiga um silêncio em silêncio, e então comecei a guardar as palavras.
Tiago Nené "Relevo Móbil Num Coração de Tempo" Fotografia: Phillip Schumacher
Confesso que estou apaixonada pela escrita deste homem.