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Chão de Cenário Lounge

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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Kiss Me,Honey Honey

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O ROSTO AQUELE ROSTO

Entre portas um aveludado rosto

prenuncia: logo existe o meu espaço.
Eu toco então aquele rosto este rosto
aquele rosto
conheço as mãos no corpo no rosto
o toque desfasado toque
na quase intimidade do olhar
o beijo.


Hoje acabo o desenho das letras
desenho rosto
pronuncio-o e tu és lá
roço nele até à precisão do t
mas o que fica é esta preparação para o beijo
que a vogal me coloca.


Digo o teu nome
os dentes tocam o lábio inferior
e aí começo a saborear-te
toda a boca te trabalha
um som nasal ressoa no crânio
mexe-me.


José Maria de Aguiar Carreiro


Chuva de Época, Ponta Delgada, 2005.

Este poema é fascinante



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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"My Funny Valentine" feat. Sting



Don't Change A Hair For Me



Not If You Care For Me


Stay Little Valentine Stay


Each Day Is Valentine's Day


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domingo, 13 de fevereiro de 2011

A uma rapariga

Somos assim aos dezassete.
Sabemos lá que a Vida é ruim!
A tudo amamos, tudo cremos.
Aos dezassete eu fui assim.


Depois, Acilda, os livros dizem,
dizem os velhos, dizem todos:
"A Vida é triste. a Vida leva,
a um e um, todos os sonhos."


Deixá-los lá falar os velhos,
deixá-los lá... A Vida é ruim?
Aos vinte e seis eu amo, eu creio.
Aos vinte e seis eu sou assim.


Sebastião da Gama
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Há que séculos que não ouvia isto...



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sábado, 12 de fevereiro de 2011

A Casa dos Beijos

Iam os dois pela rua, de mãos dadas. Dir-se-ia que não pisavam o chão. Dir-se-ia que deslizavam, que vogavam, que voavam. A felicidade estava-lhes cunhada nos rostos; e também nos gestos, nos sorrisos, no olhar. Iam de mãos dadas pela rua e iam muito felizes.

Ela tinha os cabelos longos e soltos, o tronco alto. Os seios puxados para a frente, as pernas esbeltas e livres, saias curtas. Ele era um pouco mais alto, um pouco apenas, camisa aberta, calças de ganga, uma pequena mala, daquelas malas dos antigos guarda-freios da Carris, a tiracolo. Isso: a mala estava a tiracolo, e eles iam muito felizes, os dois, de mãos dadas.

Nem sequer reparavam que muitas pessoas os observavam. Algumas pessoas com a conivência de um sorriso. Outras pessoas com um ressaibo de inveja, no olhar de esguelha. Pararam um pouco em frente à Pastelaria Suíça, no Rossio, ele disse qualquer coisa a ela, ela encolheu os ombros. Não deixavam de sorrir enquanto conversavam. Depois entraram e beberam café.

A esplanada da Suíça estava cheia de sol e de estrangeiros. Um vendedor de lotaria ofereceu jogo. Um rapaz sujo pediu algum dinheiro. Dois homens encontraram-se e abraçaram-se com efusão. Uma mulher apressada deu um encontrão num cego. Um cigano tentava vender relógios. Um polícia contemplava as coisas com evidente indiferença.

O rapaz e a rapariga decidiram, depois de tomar café, passear pelo Rossio. Estavam muito felizes. E é bom que se repita isto, porque as pessoas, habitualmente, andam para aí cheias de infelicidade, ao menos que haja alguém feliz, mesmo que seja uma ou duas pessoas.

Passeavam pelo Rossio e, de vez em quando, davam beijos, sempre sorrindo um para o outro, como se estivessem a sorrir para todo o mundo, e todo o mundo experimentava uma grande sensação de espanto e de júbilo. Paravam junto às montras do Rossio, olhavam, claro, mas não fixavam nada do que nas montras se expunha, só sabiam um do outro, só estavam ali juntos para apenas estar um com o outro, juntos e assim mesmo: de mãos dadas e aos beijos.

Foi numa dessas ocasiões. Beijavam-se tão felizes, tão um do outro, que essa felicidade molestou uma senhora obesa e flácida. A senhora obesa e flácida estacou, indignada, a fuzilá-los com as balas do ódio. E gritou:

— Não podiam fazer isso em casa?

A rapariga dos longos cabelos e seios puxados para a frente deixou o beijo a meio. O rapaz experimentou uma estranha sensação de pasmo. Olharam-se. E foi então que a rapariga respondeu, indicando tudo em derredor:

— Esta é a nossa casa!

Nesse instante trémulo, o mundo feliz, começou a aplaudir.

Baptista-Bastos, Lisboa contada pelos dedos (2001)



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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

The Rolling Stones - Mick Jagger - Angie (Rare Symphony)

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POEMA DE AMOR PARA USO TÓPICO


Quero-te, como se fosses
a presa indiferente, a mais obscura
das amantes. Quero o teu rosto
de brancos cansaços, as tuas mãos
que hesitam, cada uma das palavras
que sem querer me deste. Quero
que me lembres e esqueças como eu
te lembro e esqueço: num fundo
a preto e branco, despida como
a neve matinal se despe da noite,
fria, luminosa,
voz incerta de rosa.


Nuno Júdice, in “Poesia Reunida”
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Primeiro como chocolate preto e depois bebo chá de camomila....hell yeah!
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Sou parva - Deolinda

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A Lucidez Perigosa

Estou sentindo uma clareza tão grande

que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.


Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.


Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade
- essa clareza de realidade
é um risco.


Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.


Clarice Lispector
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

roubo-te 1 beijo



Em relação ao post anterior...questões profissionais apenas!!

Pensemos em coisas mais positivas...

Deixo uma amostra da nova música de André Sardet. Não sou grande fã, mas desta até gosto!

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Hoje, constatei, que sei lidar com muita coisa, mas continuo sem saber lidar com a desilusão!
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  Estou a precisar de viver uma aventura!
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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Rod Stewart - Have You Ever Seen The Rain




E o que eu gosto de cantar isto !!! Ah pois é!!!
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Se podes olhar, vê.


Se podes ver, repara.

Se podes reparar, contempla.

Se contemplas, enlaça.

Se enlaças, penetra.

Se podes penetrar, ama

                                                     José Saramago
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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

"Acorda Menina Linda" - Jorge Palma

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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Memória de um Tempo

                                                                                                    Foto: Elisabete
                           

                                                                     
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

The Beauty Dance in "House of flying daggers"

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E para os meus amiguinhos de olhos rasgados:

xin nian kuai le
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E hoje o chá das cinco foi tomado na Bulhosa!!
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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Identidade

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo


Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta


Sou pólen sem insecto


Sou areia sustentando
o sexo das árvores


Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro


No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço


Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
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_ĄƒR¶C@n ReGG@E_


                                                                                                         JET
                                                                                       olhares.aeiou.pt
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Gigliola Cinquetti - Non Ho L'Età



molto bella
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Terminada a leitura do livro A Impossível Solidão de José Manuel Arrobas apraz-me dizer que tocou indiscritivelmente os quatro pontos cardeais das minhas sensações.
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